CRÔNICA DA METRÓPOLE

Ontem, resolvi ir à Rua Santa Efigênia.
Fazia tempo que não ia para aqueles lados da cidade.
Saí da Avenida Pompéia, perto da Avenida Heitor Penteado, no Sumaré.
Não acreditei que fui até a Avenida Rio Branco, pisando em asfalto novo.
Não vou muito com a cara do Alcaide Cassab.
Nada de preconceito anti-arábico. Adoro comida árabe. Leio o Alcorão
todo dia, por curiosidade. Mas acho meio nervosinho para o meu gosto.
Porém, ele está mudando a cara da cidade.
Na Avenida Francisco Matarazzo fiquei surpreso: sumiram os enormes
painéis de propaganda que encobriam antigas e belas construções
do início do século passado.
Agora temos uma visão limpa das ruas e avenidas da Capital.
Essa imagem foi se repetindo até o centro.
A chocante mácula na paisagem foi obra de outra árabe, o
Monstruoso Minhocão, o maior aborto urbanístico que já vi.
Dizem que o Alcaide vai derrubar. Estou torcendo para isso.
Esse cara é suficientemente doido para derrubá-lo.
Parei o carro num estacionamento da Rua Aurora.
A R$ 4,00 por meia hora e R$ 6,00 a primeira hora.
Uma boa idéia, meia hora é um tempo razoável para umas
comprinhas programadas.
Atravessei a rua em frente ao estacionamento e entrei numa
loja de pilhas e demais badulaques eletrônicos. Queria uma
pilha metade do comprimento da pilha palito mas que fosse
de doze volts.
Achei um que nunca iria achar isso.
A Santa Ifigênia é um mundo à parte na paisagem da cidade.
Precisa ser conhecido, vale a pena. E ainda achei muito bem policiado.
Tem tudo o que você precisa, pela metade do preço, ou menos.
A piratagem corre solta!
Vi a pilha que procurava na vitrine, em diversas cores e marcas.
Então, lembrei-me dos tempos em que morei em Brasília,
nem pilha normal eu achava por lá.
Aliás, qualquer coisa, que não seja corrupto, é dificílimo de se encontrar
na Ilha da Fantasia.
Comprei a pilha e perguntei ao rapaz: “Vocês vendem Hooter wire-less?”
Palavra americana, a gente se sente inteligente falando assim.
O rapaz falou que não, mas que roteador sem fio
eu encontraria no vizinho.
Senti-me humilhado com a lição de simplicidade e eficiência do rapaz.
Fui ao vizinho.
“Moço, tem roteador wire-less?” Não deixei por menos com meu
inglês perfeito, ensinado pelo Professor Frederico Nietzsche,
tremenda coincidência, mas o homem era a cara do original e agia
como tal!
“Tem senhor, para que capacidade...”.
Ai me ferrei, pois queria um hooter para ligar meu
notebook à internet, quando estivesse deitado na minha cama!
“Não sei, é para ligar meu notebook à internet senão
tenho que ficar horas esperando minha filha terminar
seus papos no MSM!
“Então é esse aqui que o senhor vai precisar!”
Saí feliz da loja com “hooter wire-less”, mais uma inútil
placa de rede “wire-less” que o rapaz me convenceu comprar.
Apesar da inutilidade da placa, tudo custou muito menos
do que apenas o roteador, se tivesse comprado pela internet
no Submarino.
“Quanto pago, Senhor?”
“Quatro reais!”
Entrei no carro e fui feliz para casa.
Não sem antes passar pela Rua 13 de Maio,
e levar dois filões italianos da Basilicata, recém saídos do forno,
para mim o melhor pão do mundo!
Ah! Levei também um pacote de manteiga dinamarquesa!
Ao cruzar a Paulista vindo da Alameda Joaquim Eugênio de Lima,
pensei na felicidade de morar num pedaço do primeiro mundo,
escondido aqui, na infeliz América do Sul.

7 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Uma delícia de CRÔNICA para quem gosta de São Paulo e mora fora, como eu.
Esse seu passeio, é tudo que eu gosto.
Vou sempre que PRECISO à Santa Efigênia. Como à Liberdade. Lugares que mesmo não se precisando de nada especificamente, sempre se encontra alguma coisa IMPORTANTÍSSIMA... que nos faltava!
Quanto ao alcaide, não me é simpático, mas competente não há dúvida. São Paulo é outra cidade de uns tempos a esta parte. Sem os painéis, que quase leva à morte um grande amigo meu, que vivia disso, a cidade ganhou uma barbaridade. É outra, como disse!
De resto estou linkando este seu NOVO blog na ESPERANÇA de poder sempre estar por aqui.
Agradeço o link do varal.

Forte abraço e MUITO sucesso.

Maria Augusta disse...

Andar pelo centro de São Paulo. Fazia isto todo sábado na época que estava na faculdade e morava na Consolação. Adorava! E adoro até hoje, quando vou a São Paulo gosto de pegar ônibus ou metrô e me fundir na multidão no Centro, no meio daquele povo que vem de todos os cantos do mundo mas sabe que São Paulo está em casa. Obrigada por esta crônica. Um abraço.

Paulo Sempre disse...

quotidianos que me são estranhos..
Os "reis" já foi moeda portuguesa do tempo da monarquia que foi "derrubada" em 5/10/1910.
Depois veio o "escudo" e, agora, temos o euro.
Abraço com euros...rissssssss
Paulo

Carlos A. Mascaro disse...

Caro amigo Santilli,

Ainda não fiz o "tour" detalhado pela Rua Santa Efigenia. De fáto parece um mundo que deve ser descoberto por todos!
Estive apenas nas redondezas como o "Mercadão" e "Estação/Jardim da Luz", que por sinal a Sonia já postou no "Leaves of Grass" algumas fotos minhas desses locais.

Parabéns e grande abraço!

Jussara Gehrke disse...

Eu adoro a Santa Efigênia, vou com frequencia lá, gosto de olhar as contruções, olhar pra cima e ver a arquitetura, gosto do movimento, das novidades e de comer bolinho de bacalhau no Léo... hummmm... é um programâo!
Eu adoro essa cidade, e admiro o que o prefeito Kassab está fazendo, é corajoso e a cidade vai ser mais respeitada daqui pra frente.
Continue escrevendo sobre Sâo Paulo, assim fazemod a ´viagem´junto!
beijo
Ju
ps - mas pâo italiano bom mesmo é da 14 de Julho, meu preferido.

Anônimo disse...

São Paulo é a luz dos meus olhos, apesar de não conhecer pessoalmente.

Uma contradição enorme~, vc vai dizer... mas conheço essa cidade como a palma da minha mão.

O que posso ter de acesso a essa cidade, eu devoro. Sou simplesmente fascinada por tudo o que aí existe.

Fale mais sobre essa metrópole, simplesmente amei!

ju26.cris.silva@gmail.com

dot disse...

Where is Today's Flower???